Quadro e giz, uma excelente tecnologia pra quem tem compromisso
Concordam com os objetivos e propostas da educação, principalmente no que toca a preocupação com o processo educacional em sim, num mundo em que o aluno, abstraído do ensino, não consegue compreender o aprendido, ou antes, o ensinado, já que quase nada aprendeu, numa eterna permanência de distancia da consciência do processo de aprendizagem em si.
Tendo o processo de aprendizagem como interação, quase autônoma entre o indivíduo e as coisas, Papert crê que a tecnologia tem proporcionado contornar o segundo estágio percorrido pela criança durante sua trajetória de vida (a escola), também acredita que o ensino tem sido bem mais valorizado que o aprendizado e, neste ponto, chama à possibilidade de uma aprendizagem com um mínimo de ensino, onde a tecnologia rompa com os processos formais de ensino e proporcione uma autonomia ao indivíduo. Esses pontos trazem não discordância em si, mas certa preocupação a Paulo Freira no momento em que elenca a disparidade existente entre a disposição das tecnologias e seus acessos, pois este entende melhor as mazelas sócias de países desiguais como o Brasil.
No que toca a discussão, ainda que passados dezoito anos do falecimento de Freie, vejo o quão atual é o tema, pois a inclusão – seja ela de gênero, tecnológica etc. – permanece atual. Ainda vemos na maioria das escolas brasileiras destinadas a arraia-miúda, políticas de inclusão que tão somente serve de ferramentas para lavagem de dinheiro e compra de votos, afora o péssimo entendimento e uso por parte dos profissionais da educação que insistem em usar os laboratórios (ainda que de péssima qualidade) ou as tecnologias existentes e disponíveis como muletas. Pra quem não tem compromisso com o ensino, com o bem público e com o outro, enfim, tecnologia se faz com máquinas ou mesmo com um quadro e um giz na mão, pois que tem ganas de ensinar corre atrás.
É válido pontuar que os sujeitos da EJA são atuantes na sociedade e que os ensinos devem partir de suas vivências e experiências,mas um ponto que é importante destacar também é a necessidade de integrar ao mundo globalizado esses sujeitos.
ResponderExcluirQuando se fala do processo de alfabetização tudo dependerá da disponibilidade da escola. Há, ainda nos dias de hoje, escolas em que o laboratório existe mas não pode ser utilizado pelos alunos da noite, pois não tem professor disponível para ficar nesta aula. Se pensarmos que atualmente a maioria das casas possuem computador e internet, fica tudo mais fácil, certo? Errado.
O computador destas residências são para que os outros integrantes da casa possam navegar pela rede. Se o aluno trabalha o dia inteiro e estuda a noite, qual o horário disponível para ele se conectar?
Outro fator que preocupa é o fato que alguns não demonstram interesse pela tecnologia. E aí fica a pergunta: Como conectar o aluno da EJA?
Acredito que a motivação é o primeiro passo para que haja conexão. Depois, segundo Freire é preciso que exista um motivo, uma curiosidade. Então, mais uma vez voltamos à vertente que é preciso usar a ferramenta digital para entender, conhecer ou aprimorar o conhecimento de alguma coisa que faça sentido para o aluno da EJa. Uma aula com significados. Uma aula com amor.